Trio musical leva a palcos de Milão memória de escravizados da história de Monlevade

O Trio Migrazioni realiza, em maio e junho, três apresentações em centros culturais de Milão (Itália) com o show autoral “Stil Novo”, mesmo título do EP lançado em janeiro deste ano. O trabalho explora ritmos de matrizes africanas e afrodiaspóricas, com letras que abordam temas como fluxos migratórios, exílio, escravização, territórios e resistência.

O grupo ítalo-brasileiro é formado pelo cantor Toni Julio, natural de João Monlevade, pelo percussionista e cantor Kal dos Santos, de Salvador (BA), e pelo violonista Davide Perduca, de Milão, cidade onde residem os três. Outro monlevadense integra a equipe: o letrista e produtor artístico Wir Caetano.

Durante o show, serão citados, como homenagem, alguns nomes de africanos e afrodescendentes escravizados, conforme listagem em inventário de João Monlevade e da mulher dele, Clara Sofia, no século 19. A referência dá continuidade a projeto iniciado em 2024 de forma conjunta por Wir Caetano,  Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (Compir) e Fundação Casa de Cultura, que resultou em grafites na Praça do Povo como “justiça histórica” a esse trabalhadores.

Poética

No espetáculo “Stil Novo”, oito composições são assinadas por Wir Caetano em parceria com o baiano Zecrinha. O artista também assina uma canção com Moisés Catarino, de Itiúba (BA), outra com o congolês Donat Munzila e Toni Julio. O repertório inclui ainda parcerias de Toni Julio com Kal dos Santos e de Davide Perduca com a harpista Priscila Gama, de Recife (PE).

Além de música, o show apresenta ao público poemas do cineasta italiano Pier Paolo Pasolini (1922–1975) e da poeta e tradutora Prisca Agustoni, natural de Lugano (Suíça) e professora de literatura italiana na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

O trio sobe ao palco acompanhado pela milanesa Annabianca Buckley (flauta), Donat Munzila (baixo e voz) e Priscila Gama (voz).

Criado em 2024, o Migrazioni integra o projeto “Migrações/Migrazioni”, que busca promover a cultura afro-brasileira, valorizar histórias periféricas e fortalecer o diálogo entre povos. No ano passado, o grupo lançou em single o zouk (ritmo afrocari|benho) “Kelelê” e prepara, para julho, o lançamento do baião “Mapa do Não-Lugar”.

AGENDA:

16/05 – Spazio Pontano 35

17/05 – Slow Mill

27/06 – Centro Internazionale di Quartieri (CIQ)

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