A Câmara Municipal de Rio Piracicaba transformou a reunião ordinária da última quarta-feira, 16 de setembro, em um espaço de escuta e manifestação da população atingida pelos impactos da enxurrada que levou lama, água e sedimentos às ruas e residências do bairro Nossa Senhora de Fátima, no último domingo (13). Diante de relatos de perdas materiais, prejuízos econômicos e medo de novos episódios de chuva, moradores tiveram voz no plenário, apresentaram suas reivindicações e cobraram respostas sobre as causas do problema e a responsabilização dos envolvidos.
A sessão reuniu vereadores, moradores e secretários municipais, que foram convidados a prestar esclarecimentos sobre as providências adotadas pelo Poder Executivo. O episódio envolvendo o loteamento Vista Real dominou os debates e mobilizou o Legislativo em torno de medidas emergenciais, reparação dos danos e apuração das responsabilidades.
A participação popular ocorreu após a leitura do Requerimento nº 011/2026, que solicita ao Executivo informações e documentos técnicos sobre a aprovação, a implantação, a fiscalização e o sistema de drenagem pluvial do loteamento Vista Real, além das providências adotadas após os acontecimentos de 13 de setembro. O documento foi elaborado com fundamento nas atribuições constitucionais de fiscalização do Legislativo e requer respostas individualizadas e tecnicamente fundamentadas no prazo regimental de 15 dias.
O requerimento contempla 34 itens, entre eles a solicitação do processo administrativo de aprovação do empreendimento, dos projetos de drenagem e terraplenagem, dos registros de fiscalização municipal e de informações sobre eventuais divergências entre o projeto aprovado e a obra executada. Também cobra esclarecimentos sobre medidas emergenciais, reparação dos prejuízos e providências para apurar responsabilidades.
O documento ressalta que o objetivo da iniciativa não é antecipar conclusões sobre as causas do episódio, mas reunir elementos técnicos, administrativos e jurídicos que permitam à Câmara exercer efetivamente sua função fiscalizadora e prestar esclarecimentos à população.
Moradores relatam perdas e medo de novas chuvas
Com a palavra aberta à população, dezenas de moradores compartilharam experiências e expuseram os impactos provocados pela enxurrada. Os relatos incluíram danos a imóveis, perda de móveis e equipamentos, prejuízos em atividades comerciais e dificuldades de mobilidade. A apreensão diante da aproximação do período chuvoso também marcou as manifestações.
Morador do bairro há 56 anos, Jaime relatou indignação com a situação e afirmou que nunca havia presenciado enchentes no local antes das obras do loteamento. Proprietário de um negócio de eventos, ele contou que está impedido de realizar suas atividades normalmente devido aos danos provocados pela lama. “Trabalho com eventos e não estou conseguindo sair de casa para conseguir fazer meus eventos. Meu salão de festas está inundado de barro e ainda não foi possível limpar. Meu carro não dá para sair da garagem.”
Em seu relato, Jaime também expressou o temor de novos episódios e entregou um abaixo-assinado ao presidente da Câmara, Aleksandro José da Silva. Outros moradores relataram perdas de bens, danos a ferramentas de trabalho e dificuldades para retomar suas atividades profissionais. Também foram mencionados impactos emocionais, noites de apreensão e o receio de que novas chuvas possam agravar a situação.
Vereadores cobram reparação
Durante a sessão, os parlamentares defenderam o ressarcimento dos prejuízos das famílias atingidas e a adoção de medidas emergenciais e estruturais para enfrentar os problemas de drenagem no bairro Nossa Senhora de Fátima, especialmente diante da proximidade do período chuvoso. Entre as reivindicações, destacaram-se a necessidade de melhorias na rede de escoamento, a avaliação de alternativas de pavimentação e a apuração das responsabilidades pelos danos causados aos moradores. Também foram levantadas preocupações com possíveis problemas semelhantes em outras regiões do município.
O presidente da Câmara, Aleksandro José da Silva, reforçou que o Legislativo já havia encaminhado ofícios ao Executivo, em dezembro de 2025 e maio de 2026, sobre o loteamento Vista Real e outros empreendimentos que vêm provocando transtornos à população. Aleksandro afirmou que a Câmara está à disposição dos moradores e que adotará as providências cabíveis, dentro de suas atribuições, para contribuir com o enfrentamento da situação e a busca por soluções.
Executivo informa providências e promete ressarcimento
A sessão contou com a presença de secretários municipais, que acompanharam as manifestações e prestaram esclarecimentos sobre as medidas adotadas pelo Poder Executivo.O secretário municipal de Relações Institucionais, Ederson Lemos de Castro, justificou a ausência do prefeito Augusto Henrique da Silva, que cumpria agenda em Belo Horizonte, em reunião com outros prefeitos na Copasa. Durante sua manifestação, Ederson informou que o prefeito havia se reunido com vereadores e representantes da empresa responsável pelo loteamento. Segundo o secretário, o Executivo assegurou que os prejuízos das vítimas serão ressarcidos e que haverá penalizações.
A Câmara Municipal de Rio Piracicaba seguirá acompanhando o caso e cobrando informações sobre as medidas adotadas pelos órgãos responsáveis, com atenção à segurança da população, à reparação dos prejuízos e à apuração das responsabilidades.









