Azeite não é apenas tempero, é uma escolha que vai além do sabor

Eduardo Casarin_ diretor da Filippo Berio. Foto: Divulgação

Presente na alimentação de diferentes culturas, o azeite conquistou espaço à mesa pela versatilidade e pelo sabor. Nos últimos anos, o interesse pelo produto também passou a envolver questões como procedência, qualidade e métodos de produção. Entender essas diferenças ajuda a ampliar o olhar sobre um ingrediente que reúne tradição, características sensoriais e diferentes possibilidades de uso na cozinha.

No caso do azeite extra virgem, a qualidade está diretamente relacionada à obtenção por processos exclusivamente mecânicos e à preservação das características naturais da azeitona. Sua composição inclui ácido oleico, uma gordura monoinsaturada, vitamina E e compostos fenólicos. A variedade da azeitona, as condições de cultivo, o processamento e o armazenamento influenciam o perfil do produto, contribuindo para as diferenças de aroma, sabor e composição.

Essa atenção aos ingredientes também acompanha uma mudança na maneira de pensar sobre alimentação. Mais do que avaliar alimentos isoladamente, é importante considerar como eles se integram à dieta e quais ingredientes substituem. Quando utilizado no lugar de outras fontes de gordura, por exemplo, o azeite passa a fazer parte de uma discussão mais ampla sobre hábitos alimentares, como ocorre nos estudos sobre o padrão alimentar mediterrâneo.

A relação entre o consumo de azeite e a saúde cardiovascular é investigada em diferentes pesquisas. Uma meta-análise publicada em 2022, que reuniu 13 estudos de coorte prospectivos, identificou um risco relativo 15% menor de doenças cardiovasculares entre as pessoas com maior consumo de azeite, em comparação com aquelas que consumiam menos. O tema ganha relevância diante do impacto dessas doenças no Brasil: cerca de 400 mil pessoas morreram por problemas cardiovasculares em 2022, segundo estimativa baseada no estudo Global Burden of Disease, divulgada pela Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde.

Os resultados das pesquisas, porém, precisam ser interpretados com cuidado. A associação observada não significa que o azeite, isoladamente, seja capaz de prevenir doenças. A composição das refeições, a variedade dos alimentos e os hábitos mantidos ao longo do tempo também influenciam a saúde. Nesse contexto, o azeite pode fazer parte de uma dieta equilibrada, especialmente quando substitui fontes de gordura com perfil menos favorável.

Como executivo de uma empresa com mais de um século de história no mercado de azeites, acompanho mudanças na forma como os consumidores se relacionam com o produto. A escolha já não envolve apenas o sabor ou a receita em que será utilizado. A procedência, as variedades de azeitona e os processos de produção também despertam interesse. Essa curiosidade revela uma disposição maior para conhecer o que está por trás dos alimentos e compreender as diferenças entre as opções disponíveis.

Na cozinha, esse conhecimento permite explorar melhor as características de cada azeite. Intensidade, aroma e sabor influenciam o resultado de uma preparação e ajudam a orientar a escolha conforme o uso pretendido. Um azeite pode ser utilizado para finalizar uma salada, acompanhar legumes, realçar o sabor de um prato ou integrar o preparo de uma receita. A decisão depende das características do produto e das preferências de quem cozinha.

Mais do que atribuir ao azeite propriedades extraordinárias, vale reconhecer o que faz dele um ingrediente relevante: a combinação entre versatilidade, características sensoriais e uma tradição que atravessa gerações. Conhecer sua origem e os processos envolvidos na produção também permite compreender melhor as diferenças entre os produtos e fazer escolhas de acordo com as próprias preferências.

A qualidade da alimentação é resultado de escolhas cotidianas, e nenhum ingrediente determina sozinho o equilíbrio de uma dieta. Ainda assim, dedicar atenção à origem, às características e à qualidade dos alimentos é uma forma de fazer escolhas mais conscientes. No caso do azeite, essa decisão vai além do sabor: envolve conhecer o produto, compreender suas possibilidades e encontrar seu lugar na rotina alimentar.

 

** Eduardo Casarin é diretor da Filippo Berio no Brasil. A marca italiana de azeites está presente em mais de 70 países e integra o grupo SALOV.

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  • 01-10 a 10-01-2027

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